Rio Grande do Sul, 02 de maio de 2026 - Edição 067

FerNunes | O Fato Sem Filtro - Crédito editorial Valter Campanato | Agência Brasil
Ah, o Brasil 247. Sempre fiel ao roteiro. Enquanto o Senado enterrava a indicação de Jorge Messias por 42 a 34 – um “Bessias” que nem o Centrão engoliu –, o colunista Marconi Moura de Lima Burum entrega o texto mais hilário do ano: um libelo inflamado pedindo que Lula indique, imediatamente, o senador Randolfe Rodrigues ao Supremo. Porque, segundo o manifesto, Randolfe reúne “gabarito jurídico e político” raro, é “fiel ao nosso campo” e, pasmem, vai “emparedar” o todo-poderoso Davi Alcolumbre.
Sério? O mesmo Randolfe que, em fevereiro de 2026, convocou a imprensa para inaugurar o “Espaço Orelha” – um comedouro e bebedouro de cachorro feito de canos de PVC grudados na parede do Porto do Povo, em Santana (AP). Evento com direito a vídeo emocionado no Instagram, discurso sobre acolhimento pet e tudo. Resultado prático? As rações apodrecendo, o negócio virando criadouro de larvas, como mostrou a TV local. Perfeito. Exatamente o que o país precisa: um futuro ministro do STF que não consegue nem manter comida de vira-lata fresca, mas tem tempo de sobra para marketing de baixo custo com animalzinho abandonado. Imagina o homem julgando ADPF, repercussão geral e mandados de segurança. Vai ser tipo: “Excelência, o réu alega que a delação é nula”. Resposta: “Calma, senador-ministro, primeiro vamos ver se o bebedouro não entupiu”.
E tem mais. O mesmo Randolfe, líder do governo no Congresso, foi um dos beneficiários generosos das emendas parlamentares liberadas às pressas depois que o Senado humilhou o “Bessias”. R$11.218.364,00, segundo os números que circulam. Dinheiro público para comprar apoio à nomeação que, no fim, deu com os burros n’água. Porque no Brasil de 2026, “republicanismo” é isso: ameaça velada de PF contra o Centrão, liberação de emenda para o aliado votar no indicado do Planalto e, quando dá errado, choradeira no 247 sobre “fisiologistas” e “fascistas atitudinais”. O texto de Marconi é um primor de incoerência: acusa Alcolumbre de ser “tutelado de Flávio Bolsonaro” e, duas linhas depois, propõe substituir o tutelado por um senador que literalmente faz parte da máquina petista. É como trocar o capataz do Centrão pelo office-boy do “Bessias”. Mesma moeda, só que com bandeira vermelha.
O artigo fala em “dobrar a aposta”, “guerrear a boa luta”, “história que nunca erra” e jogar no lixo “ratos cheios de lepra da República”. Poesia barata de quem acha que 2026 é 2003. Lula, segundo o colunista, tem “princípio máximo de republicanismo”, mas também “toda a máquina da Polícia Federal” para caçar podres de quinta geração dos adversários. Que lindo. Republicano do jeito que a gente conhece: uso seletivo do Estado contra inimigos, enquanto o aliado ganha emenda para cachorro e cargo vitalício no STF.
Marconi Moura ainda aposta que os 41 senadores não vão vetar Randolfe na sabatina. Claro. Porque nada inspira independência como um líder governista que transformou a articulação política em balcão de emendas. Alcolumbre pode até ficar “emparedado” – ou não. O fato é que o Senado já mostrou os dentes com Messias. Indicar Randolfe agora não é estratégia genial, é birra: se não passou o meu primeiro escolhido, passo o segundo, que é do meu time e ainda me deve favor. O STF vira extensão do gabinete do líder do governo. Toalha de mesa do Planalto. Cabide de luxo com salário de R$39 mil e foro eterno.
O texto brada contra acordos “estruturantes” com o Centrão e defende acordos “pontuais, de uísque”. Tradução: fisiologismo só é pecado quando o fisiologista não é nosso. Randolfe, afinal, é “querido por 41 senadores” e “preocupado com a dor dos mais pobres”. Sim, claro. O homem que prioriza PVC para vira-lata enquanto o Amapá segue com saneamento básico de terceiro mundo. O mesmo que, como líder, ajudou a costurar a liberação bilionária de emendas para tentar emplacar o Bessias. Preocupação social nível hard.
O que está em jogo não é Alcolumbre versus Lula, nem Bolsonaro versus PT. É o Supremo virando mais um órgão partidário. Já foi o tribunal que decidiu eleição, orçamento impositivo e tudo mais. Agora querem transformar a vaga em recompensa por lealdade partidária explícita. Randolfe não é jurista de renome, não é nome técnico, não é sequer um moderado. É o operador político do momento. Exatamente o que o país não precisa: mais um ministro que chega ao STF devendo favor a quem o indicou.
Lula pode até bater no ombro de Alcolumbre, como o texto sugere. Pode até jogar a “batata quente” na mão do presidente do Senado. O problema é que a batata está podre desde o comedouro. E o cheiro está se espalhando.
E aí, Brasil? O que vocês acham se o STF estiver virando mais um puxadinho e cabide de emprego de luxo da facção petista? Porque, pelo visto, o próximo passo é indicar o office-boy do Bessias e chamar isso de “vitória da democracia”.
FerNunes | O Fato Sem Filtro

Captura de Tela do Impostômetro às 13h45, do dia 02/05/2026.
