Rio Grande do Sul, 03 de maio de 2026 - Edição 068

FerNunes | O Fato Sem Filtro - Crédito Editorial Getty Images

Caro leitor, respire fundo e prepare o estômago. A peça teatral chamada “Fim da Escala 6x1” está de volta ao plenário da Câmara, e, como sempre, o roteiro é digno de novela das oito: mocinhos bonzinhos (os trabalhadores explorados) contra vilões bigodudos (os empresários maus). O governo, com a urgência constitucional na mão, quer empurrar goela abaixo do brasileiro o PL 1838/2026 até 29 de maio. E não é por acaso: ano eleitoral chegando, e a turma do “amor” precisa de uma cortina de fumaça para esconder o fracasso econômico que eles mesmos produziram.

Mas vamos aos fatos, que doem como um soco no estômago de quem ainda tem dois neurônios funcionando. A Fecomércio, uma entidade que — pasmem — entende de contas e não de militância tuiteira, estimou que a brincadeira de reduzir a jornada de 44 para 40 horas, mantendo o mesmo salário, vai custar R$158 bilhões por ano às empresas brasileiras. Bilhões com B. Isso não é piada. É o tipo de número que faria qualquer gestor sério suar frio. Mas para os nossos queridos “economistas” de boteco do PT, isso é detalhe. Eles acham que dinheiro nasce em árvore, ou melhor, nasce do bolso do empreendedor que já está de joelhos.

E quem paga o pato? As MPEs, claro! Aquelas que empregam 6 em cada 10 trabalhadores. Você sabia, leitor? Pois é. O Sebrae já mostrou que micro e pequenas empresas são a espinha dorsal do emprego no país. E o que a proposta faz? Mete um aumento de pelo menos 10% no custo da hora trabalhada sem nenhum ganho de produtividade. Brilhante, não? É a receita perfeita para a falência em massa. Mas, calma, que os gênios do Planalto têm a solução: “as empresas que se virem, contratem mais gente”. Só que, pasmem outra vez: não há dinheiro, não há caixa, não há margem.

Thiago Carvalho, assessor econômico da Fecomércio, tentou explicar o óbvio: “Hoje, no quadro econômico que a gente tem… é muito difícil que o empresário vá contratar”. E o que o empresário vai fazer? O que ele sempre faz quando a corda aperta: demite, terceiriza na informalidade, ou faz “juniorização” — troca o funcionário experiente de 40 anos por um jovem desesperado que aceita ganhar metade por tarefas piores. Parabéns, governo! Você vai transformar o trabalho CLT em uma raridade pré-histórica. O resultado vai ser um exército de trabalhadores informais, sem direitos, sem férias, sem nada. É para isso que vocês lutam? Ou será que a meta é criar um curral eleitoral de dependentes do Bolsa Família?

E não venha com o discurso “ah, mas a tecnologia vai automatizar”. Em um país onde a produtividade por hora cresce a absurdos 0,6% ao ano — sim, leia de novo: zero vírgula seis por cento — segundo o FGV IBRE, achar que vamos pular para a automação como a Alemanha é pura alucinação. Fernando de Holanda Barbosa Filho, que não é qualquer um, avisa: essa medida pode derrubar o crescimento potencial do PIB de 2,5% para apenas 1,5%. Ou seja, vamos ficar mais pobres, mais atrasados, e com uma dívida pública estratosférica. Mas o que importa é a hashtag #FimDaEscala6x1 nos trending topics, não é mesmo? O que importa é o “voto agradecido” do militante de iPhone comprado em 24x.

Olhe ao redor, criatura. O Brasil bateu recorde de recuperação judicial em 2025: 977 processos só no ano, alta de 5,5%. As pequenas empresas estão sangrando, pagando empréstimos do Pronampe, sufocadas por uma carga tributária que já é um crime de lesa-pátria. E a solução do governo é aumentar o custo do trabalho em 10% da noite para o dia? Isso não é ignorância — é malícia pura. É jogar gasolina no incêndio e depois, na eleição, dizer que “o empresário malvado não quis colaborar”.

E o setor de serviços? Toma R$76,9 bilhões de custo extra. Indústria? R$35,9 bilhões. Comércio? Sangrando. A CNI já mostrou que o PIB pode cair 0,7%, o que significa R$76,9 bilhões a menos na economia real. Isso é dinheiro que deixa de circular, emprego que deixa de existir, comida que some da mesa do trabalhador. Mas, claro, para o político eleitoreiro - como Érika Hilton e Boulos - isso são apenas “números assustadores da elite”. Prefere acreditar no “estudo” encomendado pelo sindicato do flanelinha.

Ora, vamos ser francos: qualquer pessoa com um mínimo de vivência no mundo real sabe que o óbvio ululante é que essa proposta não tem como dar certo. Ela não foi pensada para dar certo. Foi desenhada em uma sexta-feira, depois de um almoço regado a cerveja e promessas falsas, unicamente para agradar a militância analfabeta funcional — a famosa turma do QI 83, que acha que dinheiro se imprime e que patrão tem obrigação de operar no prejuízo porque “o capitalismo é pecado”.

Captura de Tela do Impostômetro às 19h11, no dia 03 de maio de 2026.

E o mais asqueroso: o caráter eleitoreiro. Em outubro, eles vão bater no peito e dizer “lutamos pela redução da jornada, mas os empresários boicotaram”. É o mesmo truque sujo de sempre: criam um problema insolúvel, jogam a culpa no setor produtivo, e colhem os votos dos desesperados. É uma orquestração cínica e covarde. E ainda tem a pachorra de chamar de "progresso".

Portanto, caro leitor que ainda não mamou na lobotomia coletiva das redes sociais, me responda com sinceridade: você já foi lobotomizado pelo discurso militante ou também consegue enxergar que essa história de acabar com a escala 6x1 — do jeito que está sendo proposta, sem aumento de produtividade e sem qualquer contrapartida — não passa de uma jogada eleitoreira barata para enganar trouxa e quebrar o que resta da economia brasileira?

Pense nisso antes de aplaudir. E, se possível, mande esse texto para seu deputado. Ou pode continuar no automático, batendo palmas para o desastre — afinal, o circo é grátis, o custo quem paga é você.

FerNunes | O Fato Sem Filtro

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