Rio Grande do Sul, 12 de maio de 2026 - Edição 073

FerNunes | O Fato Sem Filtro - Crédito Editorial ALOISIO MAURICIO | FOTOARENA
📌 R$261mi jogados no lixo
📌 97% doses desperdiçadas
📌 7 meses de burocracia inútil
Existe uma forma de arte que o brasileiro médio não aprendeu a reconhecer ainda. Não é samba, não é literatura de cordel, não é tropicalismo. É a arte — sofisticada, meticulosa, executada com perfeição orwelliana — de desperdiçar dinheiro público enquanto se proclama, em cadeia nacional, o maior protetor do povo desde Getúlio Vargas. O Tribunal de Contas da União acaba de emoldurar mais uma obra-prima dessa galeria: R$261,7 milhões em vacinas Coronavac compradas, não usadas, vencidas e incineradas, como se fosse papel velho. Sete anos de ensino fundamental de uma criança pobre custam menos do que essa fogueira burocrática.
Para contextualizar o tamanho da proeza: das 10 milhões de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde em 2023, apenas 2,08 milhões chegaram a ser distribuídas. Dessas, somente 260 mil foram aplicadas em braços reais, de pessoas reais. Faça você mesmo as contas: 97% do imunizante comprado foi parar no incinerador. Se houvesse um campeonato mundial de desperdício sanitário, o Brasil subiria ao pódio sorrindo, com faixa presidencial e tudo.
"Era esperado que o Departamento de Logística tratasse processos de alta materialidade e relevância com prioridade diferenciada." — TCU, com a diplomacia de quem não quer dizer o óbvio em voz alta.